O novo teatro da cidade de Faro, denominado Teatro das Figuras, foi inaugurado a Julho de 2005 e é o mais recente equipamento cultural que veio constituir um marco decisivo na consolidação da vida cultural do Algarve. Este Teatro assume uma larga extensão, desde logo pela dimensão da sua sala, com 786 lugares, pela qualidade e versatilidade dos equipamentos, pelas características multidisciplinares da sua programação, pelo acolhimento de criadores contemporâneos locais e regionais, a par da sua apetência em participar em redes, parcerias e co-produções, nacionais e internacionais. Neste sentido, o jornal Região Sul decidiu entrevistar o actual dirigente do Teatro das Figuras.
Paulo Neves Presidente do Conselho de Administração da Empresa Municipal Teatro Municipal de Faro
Paulo Neves, natural de Faro, aos 40 anos dispõe de um largo leque de actividades. Frequentou o curso de Direito, integrou a equipa de estudo sobre o Impacto do Euro 2004 e coordenou o estudo para a Viabilidade da Marca e Empresa Municipal de Turismo para a Câmara Municipal de Coimbra, assim como o projecto «orçamento participado» para a Câmara Municipal de Portimão. Foi membro do Conselho Consultivo da Universidade do Algarve e monitor de mestrado em políticas europeias de turismo até 2005. Foi presidente da Região de Turismo do Algarve e da Associação Nacional das Regiões de Turismo. |
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Exerceu ainda a função de vice-presidente da Associação Arco Latino Mediterrâneo, tendo subscrito o acto de fundação, como representante de Portugal. Hoje em dia para além da presidência do Teatro Municipal de Faro exerce também o cargo de director-geral do RR Grupo SGPS, S.A., administrador do Hospital Privado de Santa Maria de Faro e cônsul honorário da República Checa no Algarve. É também sócio-gerente das empresas de consultoria Spidalg, Lda. – Sociedade de Projectos e Investimentos para o Desenvolvimento do Algarve, da empresa «Mais Um Século» proprietária do Jornal «O Algarve» e da produtora de conteúdos para televisão – TV Tours, Lda.
Questão: Com que apoios conta esta instituição? E com que dificuldades se depara frequentemente?
Resposta: Bom dia ao Região Sul que continua a surpreender pela utilização inovadora de suportes informativos aos seus leitores e ao Algarve em Geral e obrigado por mais esta atenção ao Teatro das Figuras, Sala do Teatro Municipal de Faro Empresa Municipal, Tal como o nome implica a autarquia é a principal envolvida no financiamento e apoio à nossa programação e actividade, em particular na comparticipação dos preços dos bilhetes ao público para que se tornem mais acessíveis, também as empresas ALGAR e Aguas do Algarve, desde o inicio deste mandato têm apoiado regularmente e com o mecenato cultural a nossa actividade a que agora se junta a ANA Aeroportos de Portugal. Devo dizer, que de uma forma algo «forçada» os nossos fornecedores, dado os prazos de pagamentos, são também apoiantes simpáticos do Teatro no Algarve.
Questão: Acha que os objectivos pretendidos desde o começo têm vindo a ser concretizados?
Resposta: Até eu me surpreendo, considerando as dificuldades financeiras da autarquia e da situação económica das empresas de base regional, os altos e baixos da politica de incentivo fiscal ao mecenato cultural por parte dos Orçamentos de Estado que ano a apos ano alteram as regras em sentido oposto e a programação, pouco comercial, que temos desenvolvido, a nossa actividade é bem mais regular do que seria assim expectável e com um reconhecimento e adesão ainda crescentes por parte do público. A população, nos seus vários segmentos e num espaço principal de Tavira a Portimão procura-nos semanalmente e isso justifica todo o esforço desta pequena equipa. Sim acho que a infra-estrutura marca pela arquitectura, localização e eventos programados que todas as semanas, todo o ano, faz com que Faro se mantenha a capital cultural desta região turística.
Questão: Para além dos espectáculos de dança, de teatro, de música, disponibilizam também serviços educativos. Na sua opinião todo este conjunto tem contribuído de forma significativa para a aculturação da população algarvia?
Resposta: Mais de 10 mil jovens estudantes das diversas escolas do primeiro e segundo ciclo de toda a região que em dois anos nos visitaram, as actividades em que forma eles os actores e às vezes os autores, as pequenas iniciativas formativas que se multiplicaram e o seu regresso com as suas famílias são bem a prova do investimento necessários que temos vindo a colmatar nesta área do Serviço Educativo. Sim o TMF, seja no Teatro das Figuras, seja na revitalização de públicos no Teatro Lethes é uma aposta a continuar. Destacar o apoio da Direcção Regional de Educação e da Orquestra do Algarve, das companhias de teatro e artistas regionais e nacionais que têm aderido a esta actividade e que introduzem novos públicos nas várias artes de palco são a certeza que todos teremos cidadãos completos mais exigentes com o futuro.
Questão: Acha que o Teatro das Figuras tem vindo a tirar protagonismo ao Teatro Lethes?
Resposta: No ano transacto organizámos com a UALG um estudo de opinião, um estudo de públicos que integrava uma sondagem à população regional, tínhamos como propósito aferir do reconhecimento e desejos da população acerca da nossa actividade direccionando a nossa gestão... o resultado foi que, em todos os municípios do Algarve, o espaço cultural de referência mais citado é precisamente o Teatro Lethes e não o Teatro das Figuras (que aparece logo a seguir) felizmente a Empresa Teatro Municipal de Faro é a entidade gestora das duas salas. Mas reconheçamos que pela sua diferença (capacidade, teia, acústica, dimensão do palco) não salas alternativas mas que se complementam para eventos e públicos diferentes. Nós nunca dizemos que a Sala do Teatro das Figuras é a mais importante é apenas a maior. Reconheço que com mais meios faríamos mais actividades em ambas. Não estamos satisfeitos mas há outras questões a que temos que dar atenção, como por exemplo à idade e manutenção da Sala do Lethes com investimentos para os quais não temos disponibilidade imediata.
Questão: Que novas iniciativas ou projectos estão a ser pensados?
Resposta: O próximo e respondendo a par das inovações tecnológicas do Região Sul é inaugurar a nossa bilheteira electrónica, acho que em Maio teremos essa funcionalidade e facilidade a funcionar para acessibilidade e comodidade de todo o público da região. Estamos a tentar reorganizar a nossa programação por Ciclos por forma a que seja mais compreensível a um leque mais largo do público potencial e que se torne efectivo fruindo a nossa oferta semanal. Incentivar as parcerias regionais, com companhias, actores, empresas, integrando um espaço para todos sem descurar o que já conseguimos na circulação de eventos ou em co-produções com o CCB, a Culturgest, a Casa da Música etc, fazendo descentralizar espectáculos e arte à região. Claro que a sustentabilidade financeira é o maior desafio por isso esperamos uma revisão da nossa natureza jurídica que possa adequar-se às exigências legislativas e ao mercado mecenático. A captação de congressos seria útil à cidade, esperamos ainda tentar encontrar formas de o integrar no (pouco) espaço livre da nossa produção e programação. A produção de eventos próprios vai continuar torneando a perspectiva de que somos apenas um teatro de acolhimento. Organizar isto a um período de 3 anos de distância seria o desejável.
Entrevistador/ Jornalista – Carla Sá
In Região Sul Online 7 de Maio de 2008 |